24 de abril (Abril 2007) escrito em terça 24 abril 2007 00:50
23 de abril (Abril 2007) escrito em segunda 23 abril 2007 18:43
Se eu compro balas, chicletes, devoro todos em minutos, compulsivamente.
Detesto saber que algo me espera, quero acabar logo com aquilo.
Não sei lidar com a responsabilidade da felicidade.
Eu tenho um homem lindo me esperando essa hora, e eu quero com todas as células do meu corpo ir ao encontro dele. Mas eu não sei lidar com tanta felicidade, por isso estou planejando a morte dele
Estou planejando matá-lo com minha estupidez, quero que ele morra fulminado pelas minhas armas de boicote.
Quero que ele perceba o quanto sou chata, ciumenta, louca e doente. E que ele enjoe logo da minha cara abatida de intensidade.
Morra e me liberte dessa alegria incontrolável. Passe desta para uma melhor, porque eu sou um lixo.
Eu lembro daquele conto da Clarice em que a garotinha ruiva guardava os contos para ler depois, porque queria prolongar o mistério da felicidade.
Pois eu quero mais é botar fogo em todos os contos de felicidade que a vida escreve para mim, porque por alguma razão maluca a felicidade me escraviza, me paralisa, me faz ficar triste.
Eu olho para você e tenho tanta, mas tanta alegria em saber que você existe, que sinto ódio. Ódio de eu não mais esperar por você.
O sentido da minha vida era encontrar você. O motivo para eu seguir adiante nos corredores escuros e bater em portas obscuras, era a sua busca.
Você me roubou de mim mesma. E eu sou tão ciumenta que estou com ciumes de mim. Você me tirou da minha vida incompleta. E me transformou numa completa idiota.
O amor é uma doença. Eu sinto náuseas, febres, dores musculares. Eu acordo assustada no meio da noite. Eu choro à toa.
E esse mundo é tão novo pra mim, que eu te odeio. Que eu estou pequena nele, e preciso de você o tempo todo para me abraçar e dizer que está tudo bem.
E quando você não está por perto, eu caio. Porque não sei nada desse mundo de alegrias e coisas bonitas.
Se eu tentar fugir, escorrego no perfume da minha nova vida. A nova vida que não sei viver. A nova vida que quero viver ao seu lado. Ao lado do homem que eu odeio porque nunca amei tanto.
Ao lado da felicidade que eu odeio porque se ela acabar, não sei mais se consigo voltar pra casa. E nem se quero.
Sim, o mundo é imperfeito, as pessoas traem, o amor não existe, seu marido me come, seu namorado me come, o mundo quer me comer enquanto você borda seu laço cor-de-rosa.
Agora eu estou aqui, inconformada com o seu passado, querendo matar suas lembranças. Com ciumes do seu silêncio porque ele está com você a mais tempo do que eu e eu tenho medo do quanto ele te consome, com ciumes do seu sono porque ele te leva do meu foco.
Com raiva da sua importância porque ela me congela, com raiva do tempo que não dura para sempre quando você me olha sabendo das minhas loucuras e ainda assim me amando.
Agora eu estou aqui, querendo que todos os amores do mundo durem para sempre, e que nenês nasçam, e que árvores cresçam e que garotas vagabundas não nos invejem e que os desejos das nossas sombras não nos traia.
Agora eu estou aqui, de quatro, de lingua no chão, te odiando muito, virando a cara, socando você, cuspindo em você, te tratando mal, tudo isso porque não sei lidar com o mundo girando na minha barriga, a tontura do amor, o enjôo do vício em você, a dor do músculo quando me separo.
Pode parecer maluco, mas todas as minhas súplicas para que você desista de mim, é um jeito maluco de pedir que você não desista NUNCA, pelo amor de Deus...
07 de abril (Abril 2007) escrito em sábado 07 abril 2007 18:30
“Que merda.
De que vale tudo isso? Quanto vale a minha vida? ‘Já
conheço os passos dessa estrada e sei que não vai dar
em nada.’ Rigel está de novo em prantos. E ele tem
todo o direito de chorar. Ele tem todo o direito do mundo de bater
com a cabeça na parede. Quanta do um homem suporta? Quanto
um coração agüenta de sofrimento? Dá para
morrer de amor? (...) Você sabe o que é
perder? Sabe. Não há quem não saiba o que
é perder. Depositar tanto sonho em algo. Sonhar
é tão trabalhoso. Imaginar um mundo de felicidades
sem fim. Lotado de paixão e sensualidade. Passear com seu
grande amor. O amor de sua vida para sempre. E esse amor vai ser
pra sempre lindo e charmoso. Irá dizer coisas espirituosas
para você no balcão de um bar cool. E quando chover de
repente, e você pensar em correr, o amor de sua vida –
que é lindo, culto, corajoso – dirá que quem
corre da chuva é rato e que nós somos homens, somos
fortes e invencíveis. O amor entupindo as veias de fé
e imortalidade. Nós já nos conhecemos desde outra
encarnação e vamos nos amar para toda a vida
celestial e eterna. Uma eternidade sem fim. Não, não
há morte. Ficaremos paras sempre juntos. (...)
E não há
paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor. Não
há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dela. Eu
te amo. Eu também te amo. Eu te amo mais. Impossível.
Eu te amo o mundo. Eu te amo o universo. Te amo tudo aquilo que
não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós
não conhecemos existisse. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo
mais do que a mim.
‘Já conheço os passos dessa estrada’...
E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me
levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez
direi que nunca amei tanto em toda a minha vida. Direi. ‘Vou
colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a
maltratar meu coração’.
Rigel chora. É um marmanjo chorando sozinho, sem conseguir
tomar banho. Não! Preciso reagir. O que eu tenho, afinal?
Saudades. Eu tenho
saudades.”
31 de Março (Março 2007) escrito em sábado 31 março 2007 13:43
"Mulheres são assim depressivas. Pois transformam simples vontades em necessidades vitais e, diante de uma transitória impossibilidade, distorcem as sensações até torná-las insuportáveis. Uma espécie de TPM zodiacal, algo meio físico, meio metafísico, energético, quem sabe, bioquímico, com certeza, que lhes ataca as idéias, enlouquecendo-as. E, por uns segundos, ela pensa em se jogar na frente de uma Kombi que está vindo."
Fernanda Young
Feliz ano Velho (Março 2007) escrito em quinta 29 março 2007 20:03
E hoje eu comecei a leitura de outro livro: Feliz ano Velho - Marcelo Rubens Paiva.
É um livro que foi lançado em 1982, e que faz sucesso até os dia de hoje, já li um pouquinho e gostei muito, adorei a linguagem que o autor usa - simples e descolada. Trata da experiência autobiográfica do autor, que relata o acidente que o deixou tetraplégico depois de um mergulho em um lago, após bater acidentalmente com a cabeça numa pedra.Mostra a dificuldade que muitas pessoas sofrem com essa situação e a força de vontade que um homem tem de se inserir novamente na sociedade, enfrentando seus problemas e medos.

